Modelos de equações estruturais

Aula 3 — Análise Fatorial Confirmatória

Estatístico — CONRE 1ª Região Nº 11477

O que é e o que não é AFC

  • Em AFE, descobrimos a estrutura latente, empiricamente.

  • Em AFC, testamos a estrutura latente, definida a priori.

Note:

“… é importante ressaltar que análises estatísticas corretas não têm a capacidade de corrigir erros teóricos ou conceituais, como, por exemplo, a omissão de variáveis centrais ou um conceito incorreto orientando a mensuração de construtos.”

  • Fonte: Alexandre, J. Neves, B. Modelo de equações estruturais: Uma introdução aplicada. ENAP, pág 17

No caso concreto, estamos em uma situação em que o cliente precisa da nossa teoria, e nós precisamos da teoria do cliente!

Iremos então testar se a estrutura teórica é compatível com as covariâncias observadas.

O modelo (1)

Iremos retomar o modelo apresentado na última aula, porém sem centralizar os dados e expandindo os conceitos

\[ \boldsymbol{x = \Lambda_x \xi + \delta}, \] onde:

  • x: vetor de variáveis observadas;
  • \(\xi\): vetor de fatores latentes;
  • \(\Lambda_x\): matriz de cargas fatoriais;
  • \(\epsilon\): vetor de erros específicos.

O modelo (2)

Desta forma, teremos:

\[ \Sigma = \Lambda_x \Phi \Lambda_x^T + \Theta_\epsilon, \] onde:

  • \(\Sigma\): matriz de covariâncias populacionais esperadas;
  • \(\Phi\): matriz de covariância entre os fatores latentes;
  • \(\Theta_\epsilon\): matriz (diagonal) das variâncias dos erros.

Esse modelo teórico gera uma matriz de covariâncias “esperadas” sob a hipótese de que o modelo é verdadeiro.

O papel da AFC é verificar se essa matriz é compatível com a covariância empírica dos dados.

Assim como na regressão ajustamos parâmetros para minimizar resíduos, na AFC ajustamos \(\Lambda_x, \Phi \text{ e } \Theta_\epsilon\) para minimizar a discrepância entre \(\Sigma\) (modelo) e \(\boldsymbol{S}\) (amostra).

Ajuste do modelo

Para estimar via máxima verossimilhança, devemos minimizar a função de discrepância, definida por:

\[ F_{ML} = log|\Sigma| + tr(S\Sigma^{-1}) - log|S| - p, \]

onde:

  • \(|\Sigma|\) é o determinante da matriz \(\Sigma\);

  • \(tr(.)\) é a função traço (soma dos elementos da diagonal principal);

  • \(|S|\) é o determinante da matriz \(S\).

Sob condições de regularidade, \(F_{ML} \sim \chi^2\).

Note que, se \(\boldsymbol{\Sigma = S}\), então \(F_{ML} = 0\).

Índices de ajuste

Utilizaremos a estatística \(\chi^2\) como teste de ajuste absoluto do modelo

Hipóteses:

  • \(H_0\): O modelo se ajusta perfeitamente (\(\Sigma = S\));
  • \(H_1\): há discrepância significativa

Estatística do teste:

\[ \chi^2 = (n-1)F_{ML}(\hat{\theta}) \]

Com \(p^*-q\) graus de liberdade, em que \(p^* = p(p+1)/2\), e \(q\) é a quantidade de parâmetros livres.

Fixando \(\alpha = 0,05;\)

p-valor > 0,05 indica plausibilidade do modelo;

p-valor < 0,05 indica ajuste inadequado.

Note:

Para \(n \rightarrow \infty\), pequenas discrepâncias rejeitam o modelo.

Este teste serve como referência teórica, mas não deve ser usado isoladamente.

Comparative Fit Index (CFI) compara o modelo teórico com um modelo nulo (sem correlações entre variáveis)

\[ CFI = 1 - \frac{max(\chi^2_{modelo} - gl_{modelo}, 0)}{max(\chi^2_{nulo} - gl_{nulo}, 0)} \]

Mede o quanto o modelo melhora o ajuste em relação a um modelo sem estrutura.

Escala: 0 a 1

Regra de bolso:

CFI \(\geq\) 0,9: ajuste aceitável

CFI \(\geq\) 0,95: ajuste muito bom

Tucker-Lewis Index (também conhecido como Nonnormed Fit Index (NNFI))

Parecido com o CFI, também compara o modelo teórico com um modelo nulo (sem correlações entre variáveis), mas penaliza modelos com muitos parâmetros (complexos).

\[ TFI = \frac{(\chi^2_{nulo}/gl_{nulo}) - (\chi^2_{modelo}/gl_{modelo})}{(\chi^2_{nulo}/gl_{nulo}) - 1} \]

A interpretação do resultado é a mesma do CFI.

O Root Mean Square Error of Approximation mede, dado a imperfeição do modelo, a distância da realidade.

\[ RMSEA = \sqrt{\frac{max(\chi^2_{modelo} - gl_{modelo}, 0)}{gl_{modelo}(n-1)}} \]

Esta métrica busca avaliar a aceitabilidade do modelo para além da amostra, isto é, na população.

Regras de bolso:

  • RMSEA \(\leq\) 0,05: Ajuste excelente;

  • 0,05 \(\leq\) RMSEA \(\leq\) 0,08: Ajuste razoável;

  • RMSEA > 0,1: Ajuste ruim.

O Standardized Root Mean Square Residual (SRMR) irá metrificar o erro médio entre correlações observadas e preditas.

\[ SRMR = \sqrt{\frac{\sum_{i=1}^p \sum_{j=1}^p (\dot{\rho}_{ij} - \hat{\rho}_{ij})^2}{p(p-1)/2}} \]

Regra de bolso:

  • SRMR < 0,08: Bom ajuste.

Na prática; visualmente!

Vamos ao R

Por fim…

A AFC é o primeiro passo dentro da Modelagem de Equações Estruturais. Aqui ainda estamos lidando apenas com a relação entre variáveis observadas e fatores. Mas a lógica é a mesma que vamos levar adiante: criar modelos teóricos de covariâncias, e verificar se eles são sustentados pelos dados.

Adicionando regressões entre variáveis observadas e/ou fatores para outras variáveis observadas e/ou fatores, estaremos então montando um Modelo de Equações Estruturais (MEE, ou SEM, do inglês Structural Equations Model)

graph TB
    MOT[Motivação]
    APO[Apoio Social]
    DES[Desempenho]
    SAT[Satisfação]
    
    PERS[Persistência]
    INIT[Iniciativa]
    FAM[Apoio Familiar]
    AMIG[Apoio Amigos]
    NOT[Notas]
    PROD[Produtividade]
    SATV[Satisfação Vida]
    SATT[Satisfação Trabalho]
    
    MOT --> PERS
    MOT --> INIT
    APO --> FAM
    APO --> AMIG
    DES --> NOT
    DES --> PROD
    SAT --> SATV
    SAT --> SATT
    
    MOT --> DES
    MOT --> SAT
    APO --> DES
    APO --> SAT
    DES --> SAT
    
    classDef latent fill:#e1f5fe,stroke:#01579b,stroke-width:2px
    classDef observed fill:#f3e5f5,stroke:#4a148c,stroke-width:1px
    
    class MOT,APO,DES,SAT latent
    class PERS,INIT,FAM,AMIG,NOT,PROD,SATV,SATT observed

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